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HISTÓRIA DA OUTRA MARGEM

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A Outra Margem é uma plataforma de arte e pensamento fundada por Andreia Duarte, artista, curadora, diretora artística e pesquisadora brasileira. Sua atuação articula criação artística, curadoria e pesquisa, com foco nas relações entre corpo, território, produção de conhecimento e crítica às estruturas coloniais.


Há 25 anos, Andreia desenvolve parcerias com artistas, lideranças e representantes dos povos indígenas. Entre 2001 e 2005, viveu com o povo Kamayurá, no Parque Indígena do Xingu, onde participou de projetos de educação, pesquisa e fortalecimento comunitário, entre eles a Escola Mawaiaka e o livro Moroneta Kamayurá – Histórias Kamayurá. Essa relação, que permanece viva em sua trajetória e em projetos realizados em colaboração com a comunidade, constitui uma referência fundamental de sua prática.


Ao longo dos anos, sua atuação ampliou-se para uma investigação sobre as relações entre arte e povos indígenas, por meio de pesquisas e ações artísticas que buscam compreender como esses saberes abrem perspectivas sobre coletividade, natureza, ecologia e modos de existir. Essa investigação contribui para questionar hegemonias de poder e valorizar os conhecimentos dos povos originários e suas formas de compreender a existência.


Doutora pela Universidade de São Paulo, Andreia desenvolve uma trajetória que aproxima arte contemporânea, pensamento indígena e epistemologias do Sul Global. Sua prática abrange direção artística, curadoria de festivais e exposições, direção de espetáculos, dramaturgia, publicações, ações formativas e pesquisa. Entre suas atuações estão a participação em diferentes coordenações da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, onde atualmente atua como assistente de curadoria da direção artística; a direção artística do !PULSA! Movimento Arte Insurgente; e a coordenação curatorial de exposições do Museu das Culturas Indígenas. Em 2027, iniciará seu pós-doutorado na Escola de Comunicações e Artes da USP, com a pesquisa Epistemologias não coloniais: um exercício de resistência na curadoria, sob supervisão do Prof. Antônio Araújo.


É nesse percurso que a Outra Margem se constitui como plataforma de arte e pensamento: um espaço de criação, articulação e produção de conhecimento que reúne artistas, curadores, pesquisadores, comunidades e instituições. Seus projetos atravessam as artes da cena e as artes visuais, incluindo festivais, exposições, espetáculos, publicações, encontros, intervenções e processos formativos.


A atuação internacional da plataforma amplia esse campo de investigação por meio de colaborações e intercâmbios entre diferentes territórios. As articulações em países africanos, especialmente em Moçambique e na África do Sul, integram uma busca por diálogos entre práticas que valorizam a relação entre corpo e território, considerando as experiências locais e as perspectivas do Sul Global.


A Outra Margem entende a arte e a curadoria como práticas capazes de aproximar experiências, deslocar perspectivas e criar possibilidades de transformação. Seu trabalho busca contribuir para o debate contemporâneo sobre território, justiça social, reciprocidade e produção de conhecimento, fortalecendo redes de colaboração no Brasil e internacionalmente.

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